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Inteligência: quem tem, quer vender
Ultimamente, a mídia vem nos bombardeando com notícias comuns: piadas sobre uma garota no Canadá, um escândalo num reality show envolvendo sexo, bebidas e rede globo, mas a nova mesmo é que o povo está se revoltando com o meio de comunicação que ajudou a gerar: o sensacionalismo exagerado, o que parece até um pleonasmo. A maioria das pessoas não tem opinião mesmo. Assistem ao Carlos Nascimento discursar sobre "inteligência" e concordam, mas ter uma opinião baseada no que pensam a respeito, difícil. É muito mais fácil receber o conteúdo pronto, pensado e ser um pseudo-intelectual nas mídias sociais, quando na verdade, não passam de hipócritas, que riram com a piada da Luiza e se indignaram com o ocorrido no BBB e agora se sentem constrangidos porque foram chamados de burros em rede nacional. Brasileiros, esse comentário não os tornará mais inteligentes, não levantará o povo contra a corrupção e não deixará mais do que algumas dezenas de "shares" no Facebook. Admitam sua natureza de "pão e circo" e aproveitem sua estupidez, já que em fatos realmente relevantes, sua maior preocupação não é a resolução do problema, mas... Quem é o líder do campeonato de futebol mesmo? Agora que venham as ofensas, mas eu não retiro minhas palavras. Somos burros e acabou. É o que somos, é o que plantamos durante anos ao escolher as banalidades aos livros, os reality shows aos programas educativos, o pão e circo ao entretenimento saudável entre outras mil escolhas que fizemos. Eu não desmereço os incomodados que se mobilizam para mudar a situação, o que me incomoda é que ser “inteligente” está virando moda, se revoltar e criticar algo agora é “cool”. As pessoas nem sabem o que e por que estão criticando! Assistem vídeos prontos na internet e absorvem opiniões como esponja absorve água. Essa não é intenção! Quando disponibilizamos nossa opinião aos meios públicos, não queremos que as pessoas necessariamente concordem conosco, meu trabalho – assim como deveria ser o dos jornalistas de verdade – é “jogar ideias” e com elas, os leitores construírem suas próprias. Nada pronto, nada forçado, apenas naturalmente, criar um juízo crítico em cada um. Mas o que eu vejo agora, são compartilhamentos atrás de compartilhamentos, e ninguém sabe na verdade o que aquelas querem dizem. Acham legal o tom irônico, a acidez, mas não tem a mínima noção dos fatos. O ocorrido com o “menos Luiza, que está no Canadá” é um bom exemplo. As críticas começaram muito antes das pessoas assistirem ao comercial. É uma PIADA, não deve ser assunto de telejornal, na verdade, nunca deveria ter saído do Twitter e do Facebook. Porém, alguns “pseudo-intelectuais” leram algumas críticas e acharam legal de revoltar. Porque essa é a única função dos jovens brasileiros: se revoltar contra NADA. A pergunta que martela em minha cabeça é se vocês não se preocupam com o ENEM e com a SOPA e a PIPA (eu não vou explicar o que é isso, procurem na internet, ela não serve só para você postar idiotices)? Doa a quem doer, nós nunca fomos inteligentes. Nós somos emergentes, temos miséria em todo o território nacional, delegamos nosso poder e dinheiro a criminosos e hipocrisia a parte, todos assistem a rede globo, todos gostam dos escândalos do BBB e principalmente, reclamar que não vamos a lugar nenhum assim. Eu reclamo, tu reclamas e acabou. O resto está feliz com seu salário mínimo, a copa e o carnaval. Chega de se revoltar e escrever besteiras no Facebook. Peguem seus tênis de marca e marchem até Brasília se vocês querem mudanças, a internet é um veículo, o combustível somos nós. Está mais do que na hora de agir, mas antes, desligue seu computador.
Escrito por Bru Carol ~ às 09h37
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Economicamente Incorreto
Será que seria possível viver num mundo onde a desigualdade fosse lenda? O proletariado emergiria do limoso universo de escravidão assalariada e teríamos dignidade para todos como diz a nossa constituição? Será que seria tão difícil para algumas pessoas ganhar alguns milhões a menos e alimentar milhões de pessoas a mais todos os dias? Por que vivemos nessa infindável procura de sempre ganhar mais, absorvendo toda a energia de nossos corpos para aposentarmos com algo em torno de três salários mínimos? Quando me sentei em frente ao meu computador, ouvindo uma música um tanto comunista, cantada por uma banda que não faz nada além de consumir a tal planta ilícita, tive um momento de reflexão. Não sou uma filha da burguesia, até porque meus pais sempre foram empregados e nunca estivemos na posição de patrão, e mesmo assim, vivemos num padrão de vida aceitável. Nossa alimentação é farta, temos alguns bens investidos em terra (algumas coisas nunca mudam) e o advento da TV por assinatura demorou, mas já tomou conta de nossas vidas. Experimentando um pouco do que é ser patrão todos os dias, porém, sabendo que um dia isso vai acabar. Seria o início de um silencioso Socialismo Utópico, sem guerra, sem conflitos, apenas devagar e sempre? Marx acabou de se revirar no túmulo! Marx era um visionário, sem dúvidas, porém, seu pensamento acompanhava a realidade de seu tempo, e ele não previa as Casas Bahia e os mil pagamentos sem juros. O gênio da mais valia só provou que o homem que tem, sempre quer ter mais e isso vira uma bola de neve. E o homem que tem, quando já tem tudo que pode ser dominado ou comprado, tem a tendência de querer adquirir algo que não era primeiramente seu e nem deveria ser: os outros. O trabalhador, empregado, proletário ou chame como quiser está a servir apenas um indivíduo ou um conjunto de indivíduos. Apesar de sentir responsável pelo que produz e se sentir um pedaço insubstituível da sociedade, aquilo que produz nunca enriquecerá o próprio. Já ouviu falar de alguém que enriqueceu trabalhando como bóia fria? Peão de fábricas têxteis? Eu pelo menos não. Cada dia que passa essas pessoas – me refiro aos verdadeiros funcionários, não o exército de mão de obra que está nas linhas de produção para ganhar seu salário mínimo de qualquer jeito – vivem pelo que fazem, gastam seu intelecto, seu físico e sua paciência para ao fim do mês receber um valor não compatível com seu esforço. Parece um tanto desanimador? Pode ficar pior. Quando olhamos as grandes indústrias e os heliportos sobre os prédios de “Comercial Business” compreendemos para onde foi a quantia que merecia ser do trabalhador. E ainda mais no Brasil, onde você trabalha quase quatro meses do ano apenas para pagar seus impostos, nota-se o abismo social e econômico. A relação patrão e empregado poderia ser classificado como mutualismo na Biologia, onde os dois se precisam ou pelo menos se combinam para o bem-estar de ambos. Na minha leiga opinião, é um assunto complicado. O dinheiro move o mundo, e mesmo conscientes da exploração sofrida todos os dias, a necessidade de alimentar uma família e sustentar uma casa prevalece sob o orgulho. Todos os dias, as pessoas vendem a si mesmas para crescer em algum aspecto. Alimentar a família, comprar um carro, viajar ou simplesmente enfiar tudo numa poupança, patrão ou empregado terão suas responsabilidades e seus problemas. Minha crítica é acima de tudo aos que tem demais. Mas e se eu tivesse demais, eu criticaria?
Escrito por Bru Carol ~ às 20h21
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Eu tenho, tu tens... E eu quero!
Desde segunda-feira eu acordo com minha outra face ligeiramente revoltada. Algo que eu poderia chamar de um dependente sem dependência. Eu precisava refletir sobre uma coisa que apesar de eu ter prometido a mim mesma que deixaria de questionar, não consigo deixar de lado: Por que algumas pessoas simplesmente não têm o que merecem? Hoje de manhã, eu e minha mãe conversávamos sobre uma pessoa e ela dizia: “Como fulana pode ser tão poderosa? Apesar de tudo que fez a nós, nunca a vi caída ao chão.” Eu não sabia o que responder a ela, fiquei no “é assim mesmo, você devia estar mais acostumada que eu”, mas tive que concordar que era uma pergunta pertinente. Por quê? Àquela pessoa só não fazia mais mal aos outros porque não existiam mais outros a quem destruir, ela já havia devastado tudo... Como assim? Por que deu certo pra ela? Não aprendemos que o vilão nunca se dá bem no final? Novamente, aplicamos as teorias que aprendemos nos contos de fadas e novelas das oito em nossa vida pateticamente prática. Eu pensei muito sobre isso, sobre não ser justo que os “vilões” – chamemos assim aquele que não faz o que está de acordo com nós – prevaleçam, mas acabei no que disse a minha mãe: é assim mesmo. É assim porque é, porque do mesmo jeito que tudo acontece para nós, acontece a eles. A diferença é se você joga sujo ou limpo para obter o que quer. Mas qual é a definição de jogar limpo ou jogar sujo? Eu acredito que cada pessoa tenha dentro de si regras que elas seguem, e que caso quebradas, incomodem o caráter e criem um enorme sentimento de culpa. Eu sou assim. Os outros, não. Já notei pessoas que parecem não ter essa “culpa” quando vão fazer algo, não se sentem responsáveis pela dor ou pelo problema que causaram, apenas olham para o que querem e pensam “EU, EU, EU e EU”. Para elas, o meu “jogar sujo” é indiferente, o que importa é como chegar lá, os meios de obter o sucesso não importam. Não posso responder por elas, como nem eu mesma acredito no castigo eterno, também não acredito que a Lei do Retorno dará o que eles merecem. Passou o tempo em que eu esperava sentada o escorregão dessas pessoas, por vários motivos. Entre tantos, os maiores são porque eu nunca vi ninguém que fez mal a outro alguém receber o castigo merecido, porque geralmente esse pessoal é tão arrogante e infeliz que não demonstra que caiu nem para a própria mãe e porque se dar mal é relativo. Eu gosto de frases feitas, chavões e metáforas, para mim, a única verdade é que cada um tem o que merece. Não acho que eu merecia tudo o que já aconteceu, mas se aconteceu comigo, me levou a aprender que ninguém é como eu, o que é uma pena ou um alívio. Minha mensagem para àqueles que já levaram um pé nas costas desse tipo de pessoa é que não se abale e não se pergunte o que você fez para merecer. Pergunte-se os motivos que o (a) levaram a agir daquele jeito, inveja, ciúmes, mentiras ou fofocas... Todos nós vivemos entre esses sentimentos, e apesar da maioria dizer que se ama, daria a perna do outro para ser melhor. É triste, mas é a nossa natureza, citando filósofos, o homem é o lobo do próprio homem e você não está livre de um dia, ser o vilão de alguém que nunca sai do salto. Não sabemos como somos vistos pelos outros e não sabemos nem o que faríamos para sermos “vistos”. Eu, com todas as minhas regras internas sou suspeita de ser uma vilã. Estou tão bem que até diria que nunca caí, mas como eu disse anteriormente... É assim mesmo.
Escrito por Bru Carol ~ às 19h59
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Eu não quero dizer adeus, mas adeus.
Quanta dor, quanto pesar, e o que dizer das lágrimas que rolam sem que as mãos dêem conta de secá-las? O peito dói como se uma parte essencial dele houvesse sido arrancada e nada que seja colocado ali apartará aquele sentimento de perda. Por que é tão difícil lidar com a morte? Desígnios de deus ou era chegada a hora? Nada disso explica e ao mesmo tempo aplaca a dor daqueles que ficam, vendo escorregar por suas mãos a vida dos queridos, não podendo lutar, apenas esperando que tudo dê certo, orando, pedindo a alguma força maior que traga aquela pessoa de volta. Infelizmente, sabemos que nada as trará de volta, e a saudade tomará conta do que podemos chamar apenas de lembranças. Eu particularmente nunca senti essa dor tão forte, nunca perdi um ente querido para uma tragédia, nunca pensei que talvez a última vez que visse alguém seria um instante antes de ser fechado um caixão, mas tento conviver com isso. A perda das vidas do Dé e do Yan mexeu comigo num aspecto que eu nunca havia avaliado: se eu poderia lidar com a morte. Hoje, com a notícia do falecimento do Yan, quase todos ao meu redor desabaram, alguns indiferentes, mas a grande maioria caiu aos prantos e eu me peguei, depois de minutos atônita sentada de frente para lousa com a boca aberta, que a vida daquele menino havia acabado. Assim, acabado para sempre. Ele não iria voltar mais, não haveriam festas de Boas Vindas, nem abraços e beijos apertados de todos da escola, ele simplesmente tinha ido embora, assim como o Dé, de repente. Quando consegui me recompor agarrei a lapiseira com força e tentei entender o que o professor dizia, mas a minha mente ficava voltando e parando no momento exato em que iniciaram os soluços, que os olhos começaram a marejar e minhas amigas saíram correndo. Minha reação quando pisei no pátio? Não consigo explicar, era algo tão horrível e cheio de dor que me foi angustiando imensamente. Quando ouvi aquele garoto cujo nome eu nem sei dizer que “nunca tinha sofrido assim” em sua vida em tive uma pequena amostra do que é perder alguém, perder para sempre. Abracei minhas amigas e tentei não dizer nada, porque naquele momento, quem começou a chorar fui eu. Foi a primeira vez que me peguei sem palavras. Aliás, nem tinha o que dizer. Os rostos falavam por si só. Tal era a deformação das faces que vi que me senti incrivelmente fraca, indisposta, impotente e infeliz, pois eu não podia mudar aquilo, porque eu estava sofrendo pela morte de uma pessoa que sequer conhecia! Foi aí que entendi a complexidade daquele momento, porque infelizmente são nesses espaços de tempo, pequenos e sofridos, que todos ficam em paz, que todos são e sofrem iguais. A partir daí eu virei, sem querer, amiga de alguém que já não estava mais aqui, alguém que não precisava que eu chorasse por ele, mas por todos os garotos e garotas que se foram da mesma maneira que ele e Dé: maneira estúpida, idiota e inexplicável! É indiscutível que a trauma vai permanecer sempre entre os mais próximos dessas duas pessoas, mas aprender a viver com a morte – e conseqüentemente a falta – deles deve ser um passo dado a cada dia. Chorar vai ser rotina durante dias, meses ou até anos, mas o que nos resta como seres humanos além de aceitar que a vida de pessoas jovens e maravilhosas também pode terminar cedo? Do que vai adiantar a revolta, o ódio e a culpa? Nada disso os trará de volta e nada disso dará paz a ninguém. Ao enterrar esses garotos, deve-se enterrar junto toda a tristeza e raiva e guardar consigo apenas as coisas boas, porque eles eram ótimas pessoas, isso eu tenho certeza. Não creio em vida após a morte, nem em reencarnação muito menos em céu. O que uma pessoa deve fazer, ela tem uma única chance nessa vida, que não é muito afinal, mas pode ser grandes feitos. Tenho certeza que Dé e Yan fizeram grandes feitos. Fizeram muitas pessoas felizes. Em memória de: André Luis Rossi Yan Prezotto
Escrito por Bru Carol ~ às 22h07
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Eu, a decadência e paciência
Não é uma boa noite, pelo menos para mim. Eu andava à tona, mas descobri que tudo não passou de alguma serotonina enviada ao meu cérebro pela fluoxetina e que o efeito – assim como tudo que é bom – se dissipou rapidamente. Aqui estou eu, a reflexiva, triste e incompreendida Bruna de sempre. E por quê? Eu realmente não sei por quê. Não busco mais compreender de onde vem minha ânsia por aceitação, por gratidão e satisfação, estou um pouco decepcionada sabe se lá com que, mas mesmo assim, tenho levado o peso do dia-dia com bom humor, engolindo seco e tentando evitar qualquer conflito, porque eu não consigo mais lidar com conflitos! Como os odeio hoje! Antigamente eles eram a base do meu ser, tudo se baseava na briga de “obter a razão de tudo, e dane-se você”, hoje não mais. Sinto falta de conseguir me defender como sempre me defendia, de não esperar sentada e chutar o pau da barraca quando algo não me agrada, e até tenho medo de dizer algo que ofenda alguém – e mesmo que o diga, não é para ofender como algumas pessoas interpretam. Sim, eu me sinto frágil! Como me sinto frágil. Brinco, rio e faço piadas, mas por dentro estou me corroendo com o que estou vendo e sentindo, e percebo que infelizmente não posso dizer o que sinto, pois mil pedras voam em minha direção. Quantas vezes vou ter de dizer que eu “EU MUDEI”! A imutável, a rebelde, a descontrolada, antipática e mal educada era quem eu era, eu optei por viver em sociedade e por isso mudei minhas atitudes pelas pessoas que gosto, para não magoá-las mais. Eu poderia ter me isolado na minha cápsula indestrutível imaginária onde ninguém me atingia e quem tentasse recebia de meu exército emocional uma chuva de dardos envenenados com palavras que magoam. Eu não sou mais assim, tento ser o máximo gentil, boa e compreensiva, e porque as pessoas continuam me tratando como se eu fosse um monstro terrível? Aliás, eu nunca fui um monstro terrível, e por que a minha vida toda eu sempre fui pintada como tal? Eu abri mão de ser o que eu era – e eu gostava de ser daquele jeito, nunca descer do salto, ser temida, odiada e respeitada – para tentar agradar meus pais, meu namorado, minhas amigas... E se quer saber, não adiantou lá muita coisa... Antes que venham os comentários de “aí, pare com essa auto-piedade...” eu já vou mandar vocês tomarem bem naquele lugar mesmo – sem palavrões hoje porque meu blog não é pinico, e eu não vou aceitar que pessoas que não sabem o que se passa dentro de mim falem algo que não sabem, a única que pode falar sou eu, e já é bem difícil pra eu lidar com isso. Hoje me deu vontade de sumir, de cair dentro de um buraco, porque me senti um saco de batata podre, inútil e feito pra ser esmurrado pelos outros. O que adianta ser gentil, falar fino, ser educada se o que vem é ofensa, só estresse, só ódio... Na realidade, eu entendo que eu não seja a única que carrega diversos fardos nas costas, que talvez, minha vida seja fácil, a dos outros que é difícil, mas é desnecessário gritar e xingar alguém que não fez nada de mais, que só quer brincar. Estou realmente chateada, como o Alê disse isso vai passar, mas mesmo assim, passei um dia terrível hoje. Para aliviar aquela pressão no peito comprei um quibe pra um cãozinho que parecia mais triste que eu, conversei com uns mendigos na rua e sentei para escrever um pouco sobre mim – porque eu amo falar sobre mim, claro. Eu sei que eu erro. Erro sempre, com todo mundo. Mas eu tento de todas as formas melhorar isso, ou pelo menos, tornar “menos pior”. Será que está errado? Será que ser uma ignorante, grossa, e não ligar para os sentimentos alheio é mais saudável? Talvez seja, e eu de novo estou errada. Paciência, como sempre.
Escrito por Bru Carol ~ às 21h19
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Ode ao Respeito
Sim, e Respeito com letra maiúscula. Porque é exatamente isso que falta aos adolescentes e pré-adolescentes que estão soltos ao relento, como animais numa selva. Eu já fui mais humanitária, achava que seus problemas eram devido a uma família desestruturada, má educação, e provavelmente, estes sejam agravantes de uma já cruel e suja índole pessoal. Não tenho certeza quanto à índole de ninguém. Só sei a minha, se é que ela existe, já que há suposições sobre se já nascemos com um caráter definido ou zerado, preenchendo nosso vazio com o que aprendemos. Seja lá qual é a verdadeira forma correta, acredito que respeito é uma característica de fácil aprendizagem, mas infelizmente, por vontade própria, é deixada de lado, assim como outras lições da vida. O motivo de minha indignação vem do fato que me ocorreu hoje: Caminhando uma rua acima da minha casa, ao lado de uma piscina pública, fui assediada sexualmente em alto e bom som por um infeliz garoto que usou palavras chulas, não dignas deste Blog, mas com o mesmo sentido: Oi gata, quer transar comigo hoje? Eu, como mulher, cidadã e principalmente, moradora do bairro (já que aquele indigente veio de outra localidade) me senti ofendidíssima! Nenhuma mulher deveria ser tratada assim por um estranho que, nem tendo atingindo a maioridade, se apropria de termos sexuais para humilhar e assediar, principalmente garotas que se dão ao respeito. Minha reação imediata foi tratá-lo no mesmo patamar que havia sido tratada e ainda assim, ele ousou responder-me atravessadamente. Só aquilo bastou para que eu ficasse assustada e decidisse nunca mais por meus pés fora de casa enquanto essa piscina imunda não for fechada. Claro que já contatei jornais e amanhã mesmo irei à delegacia e qualquer outro órgão para me queixar desse acontecimento, pois se bem conheço esses cerquilhenses burocráticos, tudo isso e muito mais vai permanecer na impunidade até que algum estupro ou coisa pior ocorra. Porque é exatamente isso que estes garotos medíocres irão se tornar: estupradores, assediadores, espancadores e ainda pior: Desrespeitosos. Por isso canto ode ao respeito. Morto, esquecido e lacrado numa urna junto aos bons modos. Não me refiro apenas às mulheres, mas todos são vítimas desses bárbaros de terceiro mundo. Mulheres, idosos e qualquer um que se atreva a não aceitar tal humilhação. Há muito tempo atrás eu teria toda a liberdade de andar pelas ruas de meu bairro confortavelmente, mas hoje o medo vai ser meu novo acompanhante. Medo desses abutres que cercam toda e qualquer garota para expor seu corpo ao ridículo. É uma pena que as pequenas bizarrices que se encontram naquela piscina não se dêem conta do que estão fazendo com suas maculadas dignidades. São meninas entre 10 e 16 anos que se oferecem a futuros homens que nunca darão o devido respeito a suas vidas e que as jogarão como lixo neste mundo. Como eu disse, o respeito morreu. Até mesmo o respeito próprio. Às mães dessas aberrações, só tenho que desejar sorte. Duas ou três lutam para que suas filhas e filhos não acabem se perdendo no mundo das drogas, ou sejam as podridões soltas nas ruas, mas infelizmente, a maioria procria sem a menor intenção de criar cidadãos. O que sai mais barato é parir animais, que soltos pelos becos, irão aprender a serem imundos; mal educados e infames, pois este é com certeza o meio mai fácil de criar uma criança. E quando ela não recebe o exemplo de casa, é na rua que ela procura alguém para se espelhar. E no que irão se espelhar? Bêbados, vagabundos, viciados, assaltantes, prostitutas, estupradores, aliciadores, e muitos mais “adores” que estão aí para tornar cada vez mais imundo e sujo o mundo em que nós, pessoas de bem vivemos, ou tentamos.
Escrito por Bru Carol ~ às 00h15
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2011 é 2010 + 1
Dois mil e onze. O ano que já nasceu pressionado com uma nova presidência suspeita, um aumento salarial surreal para a mais amada estirpe brasileira (com muita, mas muita ironia) e alguns desastres acarretados por chuva ou falta dela. A maioria das pessoas já o programou todo, cada segundo. A viagem das férias está garantida com o salário mínimo recém ajustado, as condições baratas para aquisição do sonhado carro popular, mas que se encaixe na faixa etária de pelo menos cinco anos. O problema, em minha opinião, é que estamos esperando demais de 2011 e muitas, eu digo muitas mesmo, pessoas vão cair do cavalo e terminar esse ano esperando exatamente o mesmo do próximo. Eu por exemplo. Já coloquei todas minhas esperanças neste período de 365 dias. Como outros jovens, todos nós estamos desesperados para que este ano voe com mais rapidez que seu antecessor e que todos nós sejamos agraciados com uma vaga numa universidade ou até num emprego (por mais decadente e mísero que seja). E não me parece diferente com os já adultos. Sempre esperando uma promoção, uma solução, uma separação ou qualquer coisa parecida, mas sempre esperando que neste ano algo aconteça de maravilhoso e misterioso. Já digo: Não irá! Não irá, em partes: Catástrofes naturais e roubos escandalosos em Brasília já não são surpresas e ninguém espera que isso mude. Os crimes vão continuar acontecendo, pois para traficantes e bandidos, os dias úteis começaram antes de ontem. A TV não reserva muitas novidades também. Sempre acerca de Hollywood, vamos assistir reprises e filmes “inéditos” sem nenhuma comoção, não esperando nada de cultura ou qualquer programa que não nos chame de idiotas sublinarmente. Em sua vida eu já não posso “bedelhar”. O que acontece nela e quando ocorre é uma responsabilidade sua, mas eu garanto que não haverá tantas emoções assim. O que pode acontecer de tão fabuloso? Terminar/Começar um namoro? Arranjar um emprego bom? Fazer novas amizades? Fazemos isso o tempo todo, e não entendo por que pôr tanta responsabilidade num ano que acaba de chegar e que não vai trazer boas energias, não irá lhe enriquecer – a não ser que você invente uma fórmula mágica para tal, o que eu realmente consideraria uma coisa maravilhosa e misteriosa – e que na verdade, é apenas uma volta completa entorno do sol, e apenas isso. Os meus desejos para este período são ceticismo, sinceridade e honestidade. Um amor você arruma por aí, felicidade é inalcançável, portanto, desista. Viva sua vidinha inconstante e aceite isso. A sorte já se foi, e parem de comprar o “Horóscopo de 2011 do João Bidu”, sabemos que aquilo irá acontecer porque são coisas óbvias que acontecem todo dia! “Câncer, você conhecerá muitas pessoas esse ano e pode se envolver muito com uma delas”. Sim, porque só os cancerianos irão conhecer alguém e se apaixonar, estou impressionada. Para o desejo de dinheiro: Trabalhe! Nada mais nobre e honesto. Ou se case com um abastado. Abestados também funcionam, neste ano. O que eu realmente desejo aos meus leitores são mudanças! Elas sim são as protagonistas dos anos novos, mas não espere um ano acabar para mudar no outro. Mudar requer coragem, mas não é preciso esperar o Peru e o Tender acabarem para mudar de emprego, cortar o cabelo ou terminar um relacionamento. Eu repito tantas vezes que a vida é curta, portanto, prometi uma coisa a mim mesma enquanto pulava ondinhas – superstições conjuntas são legais – que este ano eu faria apenas o que fizesse bem a mim. E já comecei. Sinceramente, eu sei que este ano não será mais doce e melhor que 2010, ao contrário, ele será terrível, chato e terei de estudar muito. Mas atire a primeira taça de champanhe quem pensa que 2011 seja um ano fácil e perfeito. Eu só espero que tudo de certo para mim. Aos outros, consciência, apenas isso.
Escrito por Bru Carol ~ às 13h38
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Tempo para falar
Tempo? Que Tempo? Não tenho tempo e não posso perdê-lo. Mas como perder se não o tenho? Foi hoje, lendo um comentário que eu li e reli diversas vezes – comentários negativos sempre me irritam, mas se fazem necessários - que entendi o que o anônimo quis dizer: Eu falo/escrevo demais. E isso é uma peculiaridade minha. Sempre gostei de exemplificar, tornar mais claro, e se necessário, escrever milhões de parágrafos para que eu consiga exprimir exatamente o que sinto. Creio que quem lê meu Blog sabe exatamente que encontrará textos longos, cansativos e por vezes deprimentes, mas isso não faz com que eu diminua o fluxo de palavras e ideias, porque meu objetivo não é ganhar tempo ou leitores, é obter a satisfação de se expressar, com reconhecimento ou não. Ao meu (minha) crítico (a), aprecio sua boa intenção, porém, era preciso que houvesse uma observação mais profunda sobre o que é o “Desencane”. Não sendo uma revista mensal, com reportagens e notícias, não preciso ser objetiva, porque os meus melhores elogios vieram da minha capacidade de enrolar e desenrolar meus “não agradáveis” textos. E eu sei que devido à minha incapacidade de torná-los enxutos, perco chances de conquistar os leitores mais preguiçosos, porém, os que realmente estão interessados na leitura lerão, seja longo ou não, pois o prazer que ela trás pode ser muito maior que um texto menor que não traga tantos sentimentos à tona. Era para ser apenas uma nota, mas vejam só! Até minhas notas são cansativas.
Escrito por Bru Carol ~ às 15h30
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Significados
Não estou nos meus melhores dias. Ando na rua e não consigo nem olhar para os lados, a cabeça pende para frente como se o chão fosse um imã. O movimento bagunçado e engraçado das árvores já não me encanta mais e até os passarinhos cantam mais alto para eu lhes notar e sorrir, mas nem isso tem me feito contente. Não sei se eu estava tão feliz e achava que tudo era belo e agora caí em mim, ou se não são apenas mais uma das infinitas fases que ei de enfrentar, só me resta esperar. Detesto bancar a poetisa que se desfigura em tristezas e produz tantas obras afundadas na lama da depressão que não há antidepressivo que as resgate, e não é assim que me sinto. Só me sinto triste. A definição é simples, mas o significado é complexo. Aliás, significados não tem mais sentido nenhum pra mim. É como se haja o que houver tudo será o mesmo. As mesmas reações, os mesmos movimentos e os mesmos desejos de melhora sem nenhuma sinceridade. Melhor seria a ignorância perante o que acontece comigo, mas eu sou como água, e reflito exatamente o que sou e como estou – o que não é exatamente uma grande vantagem, a não ser que você goste de ser apontada como descontrolada e infeliz. É claro, falta a verdade absoluta, já que esqueci minha discrição na gaveta do banheiro: Eu sou descontrolada! Minha cabeça está uma bagunça, já estou misturando casos e histórias, não me lembro exatamente do que falo e às vezes me falta as palavras, daí saí aquele jorro de letras jogadas que quase ninguém entende, e pra ser verdadeira, nem eu. Parece-me mais fácil dormir. Dormir é bom, porque apesar de sempre ter um milhão de sonhos, que como minha realidade são bizarros, é simples. Dormindo eu não tenho que lidar com as pessoas, tentar entender e ouvir, ser compreensiva e até às vezes passiva demais, ou explosiva demais. Infelizmente eu sei que serei assim o resto da minha existência, dormindo com uma caixa de lencinhos enfiada no nariz e no outro dia saltitar e dizer que as árvores dançam pra mim. E porque sou assim? Porque eu sou doente! Não é brincadeira, apesar de eu estar rindo agora. Eu não a descreveria como doença, mas o psiquiatra a classifica assim, e ele sabe onde ele deve enfiar aquele diploma, porque já o avisei. Não conheço nenhum ente que possua tal distúrbio, mas foi até um alívio ser diagnosticada como Bipolar, assim eu posso explicar porque de repente eu estou mais contente que no começo do texto e que às vezes me pego deitada no chão conversando com uma lagartixa. Não é tão ruim quanto às pessoas dizem, mas isso te deixa menos e mais sensível numa mesma intensidade e de repente; as pessoas ao seu lado vão sofrer porque você é inconstante e elas são sabem como lidar com isso – míseras pessoas normais demais para saber como é interessante ser bipolar! Interessante, obscuro e perigoso. Não sei quanto aos meus outros amigos doidos, mas eu acho delicioso! É ótimo saber que você é inconstante, que se houver um surto de cinco segundos, você pula de pára-quedas mesmo morrendo de medo de altura e que uma palavra mal colocada pode virar uma catástrofe terrível. Eu sou assim, e não quero mudar, porque eu tenho um defeito irreversível: O óbvio demais me irrita, comodidade me incomoda e as coisas podem me enjoar como o tempo pode mudar. Os calmantes podem amenizar o efeito destruidor de um dia qualquer e me tornar alguém melhor, mas eu vivo os burlando. Finjo que tomei e jogo pela pia dizendo: “nham, nham, que delícia essa fluoxetina!” E sabe por quê? Porque eles me tornam alguém normal, que aceita e sorri demais. “Ela não sou eu!” repito a mim mesma todos os dias em que não me resta alternativas e tenho de me esconder atrás de um comprimido branco. O que eu sou é tão ruim e ameaçador assim? Acredito que minha maior arma e defesa são as palavras, mas elas agem por conta própria quando estou sem o remédio, e aí acontece sempre o que eu chamo de “involuntarismo”, o que eu digo é exatamente o que eu penso e que o interlocutor pense o que quiser. Isso é ruim? É péssimo! Geralmente esse acontecimento vem seguido de “Bruna, pare com isso!” ou até mesmo “Bruna, você está louca?” Sim! Eu estou louca, estou com problemas, estou feliz e triste ao mesmo tempo, tudo junto e agora, AAAH! Brincadeira. Apesar disso eu sei como tudo vai acontecer, e ser bipolar me deixa sempre tão aberta a perceber as coisas que muitas vezes me assusto comigo mesma. Sempre deduzindo coisas absurdas que simplesmente não tem significado – de novo eles –e noutro segundo, tudo se encaixa, me fazendo acreditar que eu sou neurótica ou mãe de santo. Também sei que meu fim será a solidão, e apesar de parecer bem conformada com isso, já passei noites acordada chorando meu destino irreversível. Quem é que vai aguentar uma bipolar, neurótica e metida a saber tudo? Seremos eu e Vinícius, lendo poesias até os meus infindáveis cento e catorze anos. Não me assusta a indignação alheia, agora acho tudo muito engraçado, e às vezes torço para que as coisas aconteçam exatamente assim. Não quero que ninguém sofra por ter alguém como eu por perto, porque eu sei o risco que represento. E corajoso aquele que se atreve a me ter, admirarei eternamente meus pais e meus amores por isso. Eu comecei hoje esse texto porque estava chateada com uma coisa, e ainda estou. Mas me sinto melhor agora, apesar de várias vezes eu voltar a me sentir triste. Não há muito a se fazer nesses casos, mas esse desabafo precisava sair, e agora aqui está. Amanhã posso acordar melhor ou pior, mas já não penso nisso, parece-me que a noite é um alento. Engraçado como as árvores ali fora dançam, alguém deveria ensiná-las como é que se faz!
Escrito por Bru Carol ~ às 21h14
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Geração Vagalume
Não sei como começar este texto, eu o pensei a tarde toda, quando voltava da academia, olhando pra rua, vendo o movimento contínuo dos carros e enquanto mordiscava umas bolachas, parei para pensar no que escrever hoje. Na verdade, há dias que venho matutando essa ideia na cabeça, mas não conseguia achar tempo para por para fora, e como começar? Porque os começos são difíceis, e eu nunca fui muito boa em introduções interessantes. Se ficou aqui até agora, pode ficar até o final, não é? Eu sinto vergonha alheia. Parece engraçado, mas me sinto constrangida pelas pessoas a minha volta, quando estas desempenham papéis ridículos e até quando são sem noção até de boca fechada. Pra falar a verdade, meu problema é com a minha geração, que eu nunca sei se é a X, Y ou Z, mas enfim, é o fim do alfabeto e, provavelmente, o do mundo também. Acho que na verdade deveria ser geração V. V de vagalume, porque brilham, brilham, brilham e morrem, porque são tão insignificantes que não precisam de vida longa, já que há vários para os substituir. Os nascidos na década de 90 parecem ter algum problema, e eu não sei dizer qual é! Ou são extremamente suscetíveis à manipulação ou são tão revoltados contra exatamente nada que parecem filhos de Che Guevara. É óbvio a que grupo eu me encaixo, e mais ainda ao qual eu tenho aversão inata. Eu gostaria de saber o que houve com essa maldita caixa quadrada - vulgo: televisão – que tornou os adolescentes do ano 2000 num bando de crianças que gostam de andar com calças cor de vagalume no cio e adoram ídolos que tem a idade mental de um bebê de 2 anos que gosta de comer Lego. Chega de ironia! O assunto é claro, a manipulação exercida pelos meios de comunicação dominaram a minha geração (não nossa, porque tenho leitores de todas as faixas etárias e me orgulho disso). É uma doença que tem causado além de dores de cabeças causadas por calças extra brilhantes, muita ignorância e imaturidade. Acho o cúmulo que garotas da minha idade adorem um garoto que parece um boneco Ken, achem lindo ouvir restart e amam a “cria” do Fábio Jr. Gente, por favor, onde seus pais guardaram seus cérebros? Eu fico pensando, pelas minhas contas, os pais que lutaram contra a ditadura, avós, sei lá, que saíram para as ruas pelas Diretas Já devem ter filhos, talvez até netos. E como essas pessoas puderam criar monstrinhos? Monstros no sentido de que não conhecem sua própria história, apenas olham para o próprio umbigo e nem sabem que os pais um dia foram alguém para a história do Brasil, se é que algum deles sabe o que foi algum desses eventos. Quando escutam Legião Urbana, acham chato e alguns nem sabem quem foi Renato Russo. Chico Buarque? Caetano Veloso? Música de velho! “Política? Ah, claro. Eu voto no Tiririca”. Essa foi o fim. Jovens, adolescentes e pré-adolescentes nojentos que estão chegando agora, por favor, desliguem essa droga de computador e sentem ler um jornal ou uma revista. Vocês precisam de informação, saber o que está acontecendo no seu país. Parem de acreditar em tudo que a mídia televisiva te empurra como verdade. Vá pesquisar, vá se informar. Tente obter mais que alguns lapsos de raciocínio dessa cabeça alienada e vai descobrir que existem coisas interessantes sobre a SUA história que você não tem ideia. Se eu pudesse fazer algo pela minha nação, eu faria. Não tenho orgulho de ser brasileira, na verdade, acho que somos apenas um país de terceiro mundo brincando com fogo. Não quero ser mais uma pagante de impostos no futuro, mas sozinha eu não posso mudar nada e apesar de já pensar em carreira política, prezo pela minha sanidade e caráter, porque já diria Ulysses Guimarães: “O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza, do próprio homem, do poder. Se o poder fosse corruptor, seria maldito e proscrito, o que acarretaria a anarquia” Já sei, a anarquia é um o fim desejado, mas improvável, como a despoluição mental da minha geração. Minha agressividade mostra o quanto isso me incomoda; gostaria que todos nós brasileiros tivéssemos consciência de como é importante ter responsabilidade quanto à nossa cidadania, e exercê-la, acima de tudo! Cara, daqui alguns anos nós seremos os políticos, os contribuintes e teremos nossos filhos, que devem ser educados para ter o pensamento racional e claro. Chega de mundo maravilhoso e colorido, desliguem a TV e prestem atenção à sua volta galera, enquanto nós achamos que está tudo bem, o dinheiro que deveria ser para a sua educação é desviado para um banco na Suíça, lugar que provavelmente, você nunca irá visitar porque terá que trabalhar demasiadamente para pagar suas dívidas. Não é melhor começar a ser alguém agora? Se me perguntar, eu não sou ninguém, apenas uma garota que escreve num blog. Se amanhã eu morrer, não serei nada mais que um número a menos, porém, eu tenho certeza que estou deixando minha marca aqui, agora, parando bem neste ponto final. E você?
Escrito por Bru Carol ~ às 21h00
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Queimem a Bruxa!
Se existiram ou não, ninguém pode realmente afirmar. Algumas pessoas se dizem de, fazem poções e acham que podem se comunicar com animais, mas não é sobre a personagem bruxa que quero tratar, mas sim a frase em si. Porque se eu tivesse nascido na idade média, certamente ouviria isso enquanto as labaredas consumiriam meu corpo numa fogueira bem animada sob os olhos preconceituosos da inquisição. Primeiro de tudo, eu não sou uma bruxa! Não tenho pentagramas nem sapos no meu quarto, não faço poções e não tenho uma vassoura voadora – até gostaria de ter. Essas criaturas místicas que foram tão perseguidas têm apenas algo em comum comigo, que eu saiba: Ideias não convencionais. Meu problema é que sou o tipo de bruxa que a igreja moderna condena ao fogo do inferno: Duvido de tudo, questiono dogmas e não aceito o padre como um enviado de deus, porque não sei se o “onipresente”, “onisciente” e “onipotente” existe. Apoio o aborto e o uso de camisinhas e se há um culpado para toda essa aversão à igreja, é ela mesma. Quando eu era criança fui praticamente uma micro-beata, não faltava às missas e não perdia um dia de catequese. Comunguei, crismei e me afastei a partir do momento em que percebi algo muito curioso na minha paróquia: Hipocrisia. Foi uma das primeiras vezes que percebi algo tão nítido num lugar. Onde as pessoas deviam adorar e não reparar, muito menos julgar acontecia exatamente o contrário! Isso só piorou quando me apaixonei pela Idade Média e fui estudar a fundo sobre ela. Até hoje é meu período favorito, apesar da obscuridade em que o mundo se meteu, foi uma época em que a Igreja Católica aterrorizou pessoas, as matou, as condenou apenas porque elas eram diferentes! E hoje? Com que direito condenam o aborto se outrora assassinaram por muito menos? Minha mãe morreu de desgosto quando descobriu que eu estou em dúvida sobre minha fé, se eu realmente tenho uma. Católica meia-boca, daquelas que reza quando as coisas parecem perdidas, ela considera que meus problemas se devem a falta de um deus, que meu gênio é influência demoníaca, etc. Grande imaginação a dela, até parece alguém que lhes escreve! Tenho muita pouca paciência para sentar com ela e conversar sobre os mistérios falsários da fé dela, até porque ela se recusa a me ouvir, parece até que estou dizendo palavrões. A verdade dói não é? Eu tenho uma dúvida persistente, até hoje não tive coragem de entrar na igreja e perguntar ao padre, pois sei que ele vai tentar me persuadir, me desviar e não vai responder. Vai tentar usar a bíblia e o diabo a quatro – haha – para me provar que sou uma indigna do amor do criador. Gostaria que tivessem avisado Joana d’Arc dos perigos que ela corria, e olhe que ela estava do lado deles quando chamada de louca, foi condenada a fogueira e virou incenso. E não é só com a Igreja Católica minha birra – apesar de ser especial. Nada contra as doutrinas das pessoas, eu sou democrática e acredito que o ser humano precisa achar que tem alguém guardando por ele, precisa pensar que existe uma entidade superior que criou tudo, apesar de não existir. Qualquer fanático religioso me dá nos nervos, porque todo fanatismo é ruim. Ser fanático demais por esportes vai te deixar um chato que só fala de bola, fanáticos por novela só pensam nisso e fanáticos por religião são os piores! Só o deus deles é o certo, o resto dos bilhões de humanos que não acreditam vão queimar no inferno – disso Joana já se acostumou – e os ateus são os piores, esses vão se ver com o poderoso chefão no juízo final e vão ser arremessados num caldeirão de óleo quente e o Demo vai lhes cutucar o bumbum o resto da eternidade. E eu ainda sou obrigada a acreditar nisso, não é? Pior que os fanáticos brasileiros só os muçulmanos. Mais uma vez, nada contra a doutrina de ninguém, só não acho justo pessoas se explodirem por uma entidade que não dá as caras aqui na Terra nem ajuda acabar com os conflitos no Oriente Médio. Passei a vida toda lendo e aprendendo que deus é amor, então que deus é esse que tira a vida de seus fiéis, os manda matarem uns aos outros e que cria uma guerra que se alastra por tantos territórios, estes nem sendo suficiente para enterrarem os mártires dessa luta “santa”. Se deus é amor, ele deveria pregar exatamente isso! Pois eu só conheço um deus que castiga, um deus que pune e um deus que não quer que você seja feliz. É essa a visão de deus que eu tenho, graças a essas doutrinas tão arcaicas quanto sem sentido algum. Quem é deus para mandar cobrirem uma mulher da cabeça aos pés? Quem é deus para mandar sacrificar alguém em seu nome? Quem somos nós para realizarmos essas barbáries e não pararmos para pensar: Há algo muito errado aqui. Quando minha mãe perguntava se eu rezava a noite, eu dizia que sim. Confesso que às vezes eu esquecia, mas quando não rezava, conversava com “deus”. Pedia coisas para mim, para meu pai, para minha mãe e irmã. Pedi pelo mundo, pelas pessoas a minha volta e até para parar de desconfiar que ele não existia, pois aquilo estava errado. Pedi respostas a ele. Sabe do que mais? Cansei de falar sozinha.
Escrito por Bru Carol ~ às 20h28
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Amigos à parte...
Mais uma terça-feira comum, dia de vale, bancos lotados e a pobreza mundial continuam a toda como as chaminés dos ricos empresários a soltar fumaça poluidora. E eu me pergunto: O que há de tão especial hoje, além, óbvio, de ser dia do amigo? Os poetas e admiradores de seus amigos que passem longe desse texto, que está mais para uma grande crítica ao sentimento que une e separa milhões de pessoas por dia, e discorde de mim quem puder. A partir das próximas linhas, não espero nenhum comentário ressentido ou agressivo; sendo minha e exclusivamente MINHA opinião, acredito que ninguém deva tentar mudá-la ou moldá-la. Amigos são passageiros. Como a chuva, como a moda, como os cantores de sucesso. Todos eles um dia irão tomar seu rumo, que não é necessariamente o seu. Alguns ainda podem te dizer adeus, te agradecer pelo ombro ou apenas pegar em sua mão e demonstrar o quanto foi importante todos os momentos gastos por aquela amizade, mas outros vão simplesmente lhe dar as costas e sequer olharão para trás. Isso não significa que sejam de fato ruins, mas isso é assunto pra mais tarde. Pessoalmente, sou uma pessoa de muitas experiências – acredito que tenho, claro – e de vários amigos que tive desde que me lembro, lembro nome, manias e medos de todos eles. A primeira amiga que tive se chamava Elaine, talvez hoje ela tenha até filhos, não sei, mas era muito bom brincar com ela no pré, alias, guardo lembranças doces disso. Rubens, Vitor, Bia, Gabriela, Kettlen (até hoje não consigo acertar o nome dela!), Lucas, Luciana... Amigos dos primeiros anos, daqueles que você não tem o que contar, porque você simplesmente não esconde nada quando se é uma criança. Os amigos mudam conforme você muda, e eu notei isso a muito, mas só hoje percebo o grande abismo que existe entre eu e meus amigos de anos, meses e dias atrás. Laís foi a última amiga que tive antes do Wellington (esse eu me lembro bem!), que além de amigo, foi aquele paquera da segunda série. Todos eles ficaram para trás quando me tornei amiga de Ariane, e bem, daí por diante, foram seguindo anos e anos, e foram muito bons sim! Como tudo é no começo. Mas o texto não é sobre a cronologia das minhas amizades, mas sim sobre os amigos, e voltemos a eles. A grande diferença de amigo e colega, que algum dia bate na sua porta, é incomoda. Confiar em quem? Será meu amigo ou só está a fingi-lo? Não é fácil depositar em alguém algo que às vezes não temos em nós mesmo. Confiança é algo extremamente frágil – se eu pudesse comparar com algo, a minha seria de plástico, porque uma hora, apesar de resistente, se parte. No começo parece fácil, contar a alguém como se sente, você não tem medo de ser traído, porque simplesmente nunca o foi. A primeira vez dói, dói mais que uma surra com cinto – juro! – e não se iluda, a mesma confiança que existe entre amigos, existe em colegas. A diferença para mim é quase nula, mas se quer saber em quem confiar, confie antes em você. Hoje em dia, amigos tenho pouquíssimos. Passei da fase em que todos eram meus irmãos de coração e superei o meu chamado paradigma da amizade, onde você deve ser exatamente o que seu amigo espera, sem esperar exatamente o mesmo do individuo. Admiro pessoas que têm amigos que realmente valham a pena, que o paradigma funcione, porque na teoria tudo é belo, na prática, é outros quinhentos. Eu não me considero uma dessas pessoas porque eu já encontrei a decepção de frente várias vezes, consequência da minha teimosia. E mereci, muito alias, todas as vezes que me enganei com as pessoas, porque acredito demais nas pessoas, ainda hoje, é um defeito de fábrica, minha mãe sempre me disse que essa ingenuidade acabaria me ferindo um dia. Mas quem disse que eu segui as regras dela? Eu aposto em amigos, ainda sim, porque ainda tenho os meus queridos e queridas que quero sempre comigo. Sei que ainda haverão outros, na faculdade, nas viagens e num encontro casual no supermercado, mas estar preparada para a partida deles é essencial para não entristecer quando perceber que um dia, seus amigos não serão mais seus e nem SÓ seus. Amigos são ruins e são bons. Amigo mesmo é aquele que liga de madrugada para saber como você está sem você nem mesmo dizer que está mal, que aceita você naqueles dias que nem você mesmo se aceita e ainda tem a coragem para te seguir onde for, “porque amigo é pra isso mesmo” (eles geralmente usam sinônimos para essa frase, RS). Acredito que exista talvez uma ligação (quis tentar um termo menos místico para isso) entre pessoas que se gostam assim, não sei, talvez eu pense assim porque sempre fui mais mãe que amiga. Então, eu não tenho dicas, nem conselhos para você, caro (a) colega. Já convivi com pessoas que nunca tiveram minha confiança em anos e com algumas que em meses já eram mais que freqüentadoras assíduas da minha casa. Amizade é assim, um bicho meio descontrolado, parece ter vontade própria quando quer aproximar e é meio cruel quando chega a hora de se separar. Por isso, neste dia do amigo, se não tem algum a tira-colo, não se incomode, aqueles que se foram eram colegas. E deve existir uma data para eles... Ou talvez não, porque nunca serão importantes como os amigos...
Escrito por Bru Carol ~ às 19h54
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Procura-se com perfeição a perfeição.
Eu acho que a vida deveria receber o nome de algum filme de Indiana Jones, e brincando um pouco com isso, eu concluí mais uma filosofia de banheiro: viver é a busca da perfeição perdida. Nem sei por que penso assim, acho que é culpa da filosofia, que sempre me fita com aqueles olhinhos e diz “pense e me discuta”. Talvez seja também um pouco de teimosia, as pessoas sempre dizem que sou nova pra me confrontar com temas existencialistas, por que somos e quem somos, por que estamos e para onde iremos... Enfim, eu perco meu tempo pensando nisso e não acho perda de tempo. Alias, perderia dias e noites pensando nisso se eu encontrasse dicas que me dissessem “você está no caminho certo”. Não sei se serei a pessoa que encontrará a perfeição do ser humano, mas também não é isso que eu busco, pelo menos não a perfeição exterior, eu busco algo que não sei bem o que é. É comparável ao Digimon – sim, eu fiz essa comparação. Você evoluí e tudo em você evoluí junto, não só sua forma, mas seus poderes, suas ideias... Enfim, você se torna aquilo que eu digo perfeito, não pela forma, mas porque eu acho que quando encontrarmos o que procuramos poucos irão sobreviver a explosão de conhecimento, e eu considero que quem conseguir dominar sua própria capacidade interior será vitorioso duas vezes. Talvez o ser humano nunca esteja pronto pra DIGIVOLUÇÃO (risos). Se o mundo acabar mesmo em dois mil e doze eu com certeza não terei descoberto o que é a perfeição, Pandora vai fechar a maldita caixinha na cara da humanidade e todos morreram até que o planeta seja reabitado por poríferos e daí toda a evolução que Darwin descreveu na origem das espécies acontecerá de novo. Se deus existir de fato, ele talvez crie um novo adão com algum pedaço de concreto que restou das grandes construções de Dubai. Daí nascerá a nova geração de pecadores que serão eliminados com chuva ácida divina. Viajei. Uma vez me disseram que pensar demais sobre quem somos e para onde iremos me deixaria louca, e que muitas pessoas já tinham descoberto esse segredinho, mas acabaram todas internadas ou se suicidaram, sabendo do fim infeliz dos humanóides. Eu tenho meus palpites, e gosto de rir deles, ou mesmo procurar algum fundamento. Tenho um pensamento que quando chegarmos à perfeição, alguém vai dar um restart – e não é aquela banda ridícula, que é o fim do mundo, com certeza! - em tudo, para começarmos do zero novamente. Quem é ligeiro já pensou que nós já podemos ter chegado à perfeição antes, e estamos dando restart à milhares, bilhares e trilhares de anos. Tudo é uma questão de imaginação. Se nós realmente estamos chegando à perfeição, não sei. Mas não é de duvidar. Acho que a perfeição será quando o homem curar a AIDS e o câncer com um medicamente, quando puder resolver todos os problemas sociais do mundo e por alimento na boca de cada serzinho que existe sobre esse solo amaldiçoado pela bendita Pandora – eu estou invocada com essa personagem mitológica infeliz. Quando pessoas pararem de nascer com doenças incuráveis ou com um instinto assassino, quando o político corrupto for mito pra assustar criança, vírus internacionais não passarem de algo do século passado, quando as guerras não forem mais que coisas organizadas por crianças e com inofensivos travesseiros como armas, quando a libertação dos escravos sair do papel e agir dentro das carvoarias e quando alguém deixar de viver com menos de um dólar por dia, aí sim, estaremos dentro da perfeição. Aí eu terei finalmente entendido pra que serve viver. Viver é tentar mudar tudo isso. Pensando bem, acho que o mundo não vai acabar em dois mil e doze, talvez ele nunca acabe se quer saber. Por que até atingirmos todos esses quesitos, será necessário muito tempo e muitas pessoas pensando no bem comum. Acho que o botão de restart foi criado, mas está esquecido e empoeirado. Cabe a nós encontrarmos essas respostas e realizarmos essas soluções. Porque só vamos poder recomeçar o jogo se soubermos chegar ao final com sucesso. Se você chegou ao final do super Mario, sabe que também pode vencer no final! (risos chatos). Me ajudem a encontrar a perfeição perdida!
Escrito por Bru Carol ~ às 17h28
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Três Contos Bobos.
Um homem no metrô Era uma vez um homem. Este homem estava no metrô com seu filho, que escutava músicas com um fone sem fio ao meu lado. Este homem que eu não conheço; não sei as origens, não sei onde está. Se está vivo ou preso era calvo, cansado e olhava o filho batucando nas perninhas: “Essa é boa papai, essa é muito boa”. “Papai a música parou, põe a música papai”. O garoto loiro olhava para o pai feliz, quem sabe aquele seria mais um final de semana com o pai, que após o trabalho iria buscá-lo na escola. Se este homem tinha uma mulher, não sei. O homem perguntou a moça ao lado se ela tinha horas, e comentou como aquele dia era frio na eterna nublada São Paulo. A mulher nem sequer olhou-o, ela deixava exibir a mão pequena com unhas vermelhas medianas, no quarto dedo da mão esquerda repousava um anel. Ela já tinha seu homem e parecia não querer outro. Outro que viria com outro pequeno homenzinho que batucava nas perninhas sempre dizendo “essa é boa papai, não tira dessa”. Era uma vez um homem no metrô com seu filho, que conheci sem saber os nomes, na sempre nublada São Paulo, onde as pessoas se conhecem pelo olhar turvo, pelos encontros e desencontros e a correria da metrópole nacional. Era uma vez estes dois personagens que deixaram de existir assim que desci na estação Jardim São Paulo. Cão rima com coração Era uma vez um cão. Cão, cão mesmo. Daqueles que todo mundo chama de cachorro, mas ele era um cão, e gostava de ser cão. Tinha uma rotina de cão, levantava às seis horas e dava uma volta no quarteirão com sua velha dona, que era mesmo uma dona muito boa. O cão passava o resto do dia deitado com a cabeça pra fora do portão, admirando a beleza de ser gente, e latindo pra qualquer bêbado que no bar ao lado começasse a cantar. Porque cão não canta, cão late. O cão não gostava de criança, porque cão que é cão morde criança, e criança que é criança gosta de maltratar cão. Puxar rabo, puxar a orelha, fazer coisa de criança do cão. Cão morava em frente a uma escolinha e todo dia via mil criancinhas deixarem o portão com cara de quem puxa rabo, puxa orelha. Latia e ficava louco, punha a cabeça pra fora e ninguém ligava, era só um cão. Um dia o Cão viu uma criança grande passar, latiu, latiu e a criança nem pra se amedrontar. Que criança é essa que não puxa o rabo nem a orelha? Aí todo dia o cão ficava esperando aquela criança passar, pra olhar com olhar de cão sem dono, pra ganhar confiança. Não era sempre que ela passava por ali, mas sempre que passava sorria, e o Cão não sabia sorrir, só sabia latir de felicidade e correr atrás do próprio rabo. Um dia a criança que não puxa rabo e não puxa orelha não passou mais. Acabou a alegria, mas o cão aprendeu uma lição: Nem toda criança puxa rabo e puxa orelha, nem todo cão é necessariamente só cachorro. Cem anos de morte em vida Era uma vez uma árvore. Velha, ranzinza e com um tronco grande e folhas verdinhas, verdinhas, por conta da primavera, que é mãe das flores belas. Todo mundo sabe como são as velhas. Dores aqui, dores ali, e aquela árvore tinha mania de uma velha que morava ali perto. Por conta dos seus cem anos, achava que estava pra morrer, mesmo com os galhos explodindo em saúde, brotando raminhos e criando flores. Mas mesmo assim se achava velha, feia e carcomida. Abandonada num terreno longe, perto de um cemitério, sonhava logo com sua morte, e pensava se alguém viria chorar sobre seu tronco roído quase que eternamente pelos fungos. Não pensava mais nas crianças que brincaram a sua volta, muitas delas já deviam ser mães e pais, até avós, porque hoje a juventude só pensa em procriar, até parecem árvores, que espalham suas sementinhas pelo ar, que são fecundadas e... Bem, a história é que a árvore era um Flamboyant. Ela não tinha mais vida, só esperava o dia de ser cortada, ou que alguma praga a acometeria e levaria ao fim de sua tão velha jornada naquela terra. Um dia porém, no meio da primavera, que sempre foi a mãe das manhãs radiantes e das tardes mornas, um povo estranho, barulhento e cheio de vida foi repousar debaixo da sobra do flamboyant rabugento. “O que é isso? Vida? Gente? Saiam, saiam. Deixem-me morrer em paz”. Ninguém escutava seus reclames, todos riam, bebiam e comiam felizes, recostados sobre o tronco acolhedor da árvore velha. No dia seguinte, mais gente: “Não, não é possível, estou velha, sumam daqui!” Dois jovens, um casal tão bonito que até deixou a árvore muda, ao balançar as flores, a brisa levava os cabelos da garota, que dava as mãos e o riso ao amor. “Estão me cortando? Estão me cortando? Oh, adeus mundo cruel!” O velho flamboyant chorou algumas flores cor de pôr-do-sol sobre os dois e logo notou que não estava no chão, nem nunca tinha sido derrubada: “ Pus nossas iniciais aqui para quando nós ficarmos bem velhos, virmos aqui e lembrarmos de quando éramos novos. Tomara que nosso amor seja tão lindo quanto as flores deste flamboyant, e que dure muito mais anos que esta arvore tão nova”. O flamboyant de repente caiu em si: Não era sua idade que lhe envelhecia, mas sim, a falta de vontade de viver, e naquele instante percebeu que nada era mais belo que o amor, o amor próprio.
Escrito por Bru Carol ~ às 18h02
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Tudo bem, Carpe Diem!
Carpe Diem, Carpe Diem, Carpe Diem. Ah, vão todos plantar mandioquinha e vender pro exterior. Por que não simplesmente “Curta a vida”? O termo Carpe Diem, que vem do latim e significa exatamente colha o dia ou aproveite o momento, e é parte de uma poesia de um tal de Horácio que fez e faz sucesso com o pessoal meio alienado – sim, não sou muito fã de poesia e me desculpe os alienados! Minha birra não é com a palavra em si, até porque sou uma admiradora do latim, é a língua da qual veio o português (e sua gramática infernal!), o francês, espanhol e até nossos amigos anglo-saxões copiaram alguns termos bonitinhos. É um idioma fascinante e praticamente extinto, mas estas duas palavrinhas, ao invés de me causar alegria quando as leio - em perfis de Orkut, em fotos, tatuado na testa de alguém... – fico pensando se as pessoas realmente sabem o que significa esse termo! Concordo que as pessoas devem “carpe diem”, todo momento, todo dia! Mas a questão é que apesar de pregar a curtição, a liberdade, alegria e felicidades, poucos vivem essa filosofia tão bem, porque simplesmente estão presos a responsabilidade de serem eles mesmos! Algumas aulas atrás tive uma matéria sobre liberdade – obviamente em filosofia – e o professor nos fez concluir que ela não existe. Atenção, ele nos fez concluir, não nos impôs o conceito de que somos presos, mas nós somos. Presos ao politicamente correto, às boas maneiras, à moda, aos amigos, às pressões... Tudo te pressiona de algum jeito, ou se preferir, te aprisiona, o que com certeza até essa altura já destruiu o conceito de Carpe Diem há horas. Citando Horácio com meu vocabulário de leiga, Carpe Diem diz: Que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro (Wikipedia). Já por essa simples sentença se ainda houver um pouco de consciência na cabeça da juventude – opa, eu também faço parte da juventude! – esqueça pra sempre esse termo da sua cabeça! Sim, eu sou estraga prazeres. Quer um exemplo de porque o Carpe Diem não existe? Vamos lá! Eu adoro dar exemplos: Se seu prazer imediato, o que você gosta de fazer é fumar maconha, esqueça! É contra a lei, é amoral, é ilegal (pleonasmo)! Se você esquecer as coisas inúteis, está simplesmente perdido! Eu considero pagar impostos a maior inutilidade já requerida – pelo menos neste país e para este sistema –pelo governo, mas se mamãe não pagar impostos, ela deverá até minhas meias para o Leão. Se você não tem medo do futuro, deveria ter! E não, não estou sendo pessimista... Você não paga impostos e fuma maconha, parabéns, seu futuro é ali pertinho de Taubaté, e eu não vou te visitar. Agora vou falar sério. Não acredito no Carpe Diem, mas respeito quem viva esta filosofia – que eu posso derrubar a qualquer momento, mas enfim – e acho impressionante quando as pessoas conseguem não se preocupar com certas coisas e viverem suas vidas aproveitando as chances que lhe parecem boas sem ter medo do futuro! Grande capacidade de individualismo. Nem eu que me acho o egoísmo em forma humana tenho pensamentos de pura curtição! Até gostaria, mas o medo do futuro é terrível para quem quer – ou pensa que vai ter – uma vida longa e confortável. Estamos presos ao ciclo da vida, concordo com a banda Darvin, “Viver parece uma morte eterna”. Não se preocupar deveria ser pelo menos umas das qualidades que todos deveriam nascer, mas bastam nossos políticos que a tem de sobra! Mas já que estamos todos presos ao sacrifício de acordar, viver, comer, respirar, falar, chorar, transar, correr, abraçar, beijar, se enraivecer, crescer, sofrer, doer e finalmente morrer, nos demos um pouco de liberdade imaginária... Carpe Diem pra você também.
Escrito por Bru Carol ~ às 21h14
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