Uma garota organizada.:


Nome: Bru Carol
Idade: 15 anos
Nasci dia: 13/11/93
Gosto de: adivinhe :D
Detesto: adivinhe :@

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Projetos de uma vida bagunçada.:


No meio de tantas atribulações, eu finalmente pude parar um pouco e dedicar um tempo pra eu reorganizar minha cabeça. Não enumerarei os fatos, foram muitos e muito pouco tempo, eu achava que tinha um preparo psicológico excelente, mas percebo que ele é mais falho que meu coração burro.

Primeiramente, acho que eu devia falar sobre quando a nossa ficha cai. Eu sempre tive uma postura rigorosa sobre sentimentos e às vezes ‘fria’ era uma boa definição pra o que eu sou, porém, alguns fatos me pegaram de surpresa e eu acabei deixando minha armadura de “ok, está tudo bem” pra lá. Segunda feira eu cheguei da escola pensando nas minhas idiotices só pra variar um pouco e não notei nada absolutamente estranho – além do clima normal de uma segunda feira. Minha mãe me perguntou se eu não ia perguntar onde estava meu pai, achei a pergunta tão banal! O carro dele estava em frente de casa, mas ele não estava e eu tinha achado isso estranho, mas nenhum motivo pra alarde. Aí, ela me contou o que havia de errado naquela pacata segunda-feira: Meu pai estava internado com mais de 600 de diabetes. Naquele momento, minha reação foi controlada, eu fiquei normal, até descobrir que 600 de diabetes poderia ter levado meu pai a um coma, logo, ele estaria vegetando numa cama e sofrendo.
Minha ficha realmente caiu era mais à tarde, quando cheguei da casa de uma amiga, quando ouvi que agora, ele poderia estar inconsciente da vida. Lágrimas – ó, lágrimas! – escorreram pelo meu rosto e eu senti pela primeira vez na vida o medo de perder meu pai pra sempre – separação de pais? Aceitável. Eu nunca senti uma coisa tão horrível! Fiquei desesperada, queria vê-lo. E quando o vi, fiquei contente, mas sempre muito quieta, eu tinha a plena certeza de que aquilo era só um sustinho, afinal, ele nunca tinha tido se quer um vestígio de diabetes, tinha uma saúde de ferro.
terça-feira feira na escola, eu recebo a notícia que o pai de dois amigos falecera. Naquele momento eu fiquei meio estática, começou a vir na minha cabeça “e se fosse o meu pai? E se meu pai tivesse entrado em coma? E se ele não tivesse resistido?” tudo o que eu pensava era meu pai, o pai deles, eles, a mãe deles, minha mãe, todos! Sinceramente, ali eu deixei tudo vazar por entre os olhos, não tinha mais o que fazer, era hora de admitir: Sou fraca, sou tão fraca quanto vidro quando se derruba no chão.
Confesso que não gosto de velórios, aliás, odeio. Mas por André, Lucas e D. Inês, eu fiquei ali. Eu tinha meus problemas, mas nunca, jamais se abandona amigos quando eles mais precisam. Eu senti na pele o que eles sentiam, não com tanta intensidade, mas sempre me batia a tristeza e eu pensava “E o meu pai meu Deus?”
Após tudo isso, eu recebi a notícia de que a diabetes do meu pai é daquele pior tipo, que ela tinha picos, ela variava toda a hora e isso era péssimo. Outra vez, voltei ao hospital, ele parecia muito bem, e mais uma vez, eu me acalmei. ‘Tudo isso vai passar’ meus amigos me dizem, mas quando eles dizem isso, sinto como se fosse só a obrigação deles dizer isso. Eu não vou mentir, sou daquelas que recorre a Deus quando está encrencada, e bem, dessa vez não foi diferente. Eu pedia a ele “Por favor, não leve o meu pai, o senhor já me tirou tantas coisas esse ano, só não me tire ele”. Às vezes parece que eu sou a pessoa que Deus mais gosta de machucar, mas eu sei que de algum jeito, eu estou usando minha mania de perseguição contra ele, só pra variar. Bom, voltando ao assunto inicial, a diabetes ainda não estabilizou, hoje é a terceira noite que ele passa lá e eu não sei o que fazer e bem, não tem o que fazer. Não acho que meter-me vai ajudar muito. Não vai fazer diferença eu falar “Viu, se o senhor maneirasse na cerveja”, agora tudo passou. Tudo virou uma verdadeira merda e ele está lá.
Meu pai é o cara, ele é forte demais, eu sei que isso vai passar, mas eu não consigo afastar esse medo de perder ele pra morte. Acho que perder ele seria a coisa mais difícil e insuportável que poderia me acontecer. Nem se eu morresse eu faria tanta conta. Meu pai é um homem justo, ele me ensinou o que é caráter e a importância de tê-lo. Ele me deu lições que você não aprende na escola e nenhum dos seus amigos vão te ajudar a encontrar na internet. Meu pai é o único, e é o melhor. Ele não é o mais carinhoso, o mais atencioso, o mais babão, mas é o meu pai. Meu único pai.
E não vai ser essa droga de diabetes idiota que vai tirar ele de mim, aah, não vai!

 

Beijo.



- Postado por quem? Bru Carol ~ Quando? 22h07
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